O Castelo de Monsanto
A subida para o castelo de Monsanto, e dada a sua localização, lembra um desafio quase humanamente impossível de concretizar por parecer inatingível, mas que apetece. O calcorrear vai-se fazendo com um misto de ânsia de conquista e de cansaço, compensados pela panorâmica que se alarga progressivamente no nosso campo visual...
A subida para o castelo de Monsanto, e dada a sua localização, lembra um desafio quase humanamente impossível de concretizar por parecer inatingível, mas que apetece. O calcorrear vai-se fazendo com um misto de ânsia de conquista e de cansaço, compensados pela panorâmica que se alarga progressivamente no nosso campo visual. A vila vai-se afastando, assumindo novas formas, numa dinâmica em que o observador levanta a cabeça em busca do castelo, vira-se para baixo deliciando-se com a referência inicial, cada vez mais pequena e amontoada, e roda a cabeça para todos os horizontes possíveis, debruados de serra. Depois de conquistada a íngreme subida com o seu castelo austero e impiedosamente altaneiro, queremos recriar, apelando à imaginação, todos os eventos que ali terão ocorrido…
Após a Reconquista da linha do Tejo em 1149, seguindo o rio Ponsul, onde as construções de vários castelos formam uma barreira às incursões muçulmanas, Monsanto, foi um dos primeiros lugares fortificados, sobre um anterior castelo muçulmano.
D. Afonso Henriques (1112-1185) assenhoreou-se desta região, onde se estabeleceu a fronteira com o Reino de Leão e com o Califado Almóada. Para guardá-la, os domínios de Idanha-a-Velha e Monsanto foram doados aos cavaleiros da Ordem dos Templários com a responsabilidade de os repovoar e defender.
É atribuída a este período a construção do Castelo de Monsanto, em 1165, data em que é edificado pela primeira vez o Castelo de Monsanto sob a orientação do Mestre da Ordem, D. Gualdim Pais, quando teria apresentado uma torre de menagem ao centro da praça de armas, envolvida por muralhas semelhantes às que ainda podemos observar nos Castelo de Almourol, Castelo de Pombal ou Castelo de Tomar, seus contemporâneos. Destruído nas guerras com o Reino de Leão, viria a ser reedificado e substancialmente fortificado por D. Sancho I, tendo este monarca repovoado a povoação e no âmbito desta operação em 1172 regressado à Coroa. Posteriormente o soberano terá feito a doação desses domínios e seu castelo à Ordem de Santiago.
Trata-se de uma fortaleza nunca vencida, mesmo após prolongado cerco pelas forças de D. Filipe IV de Castela no século XVII, aquando do domínio Filipino da coroa Portuguesa. No século XVIII e novamente cercado pelas forças Inglesas que apoiavam a investida do infante D. Pedro contra o seu irmão D. Miguel, nunca foi tomado. No século XIX foi parcialmente destruído pela explosão acidental do paiol de munições, atingido por um raio durante uma tempestade.
Restam dele apenas duas torres e as ruínas da Capela de S. Miguel, na aba nordeste do castelo, datada do século XII. Em seu redor nasceu o núcleo de colonização medieval de Monsanto. Este templo é constituído por uma só nave e capela-mor e na sua fachada rasga-se um portal de arco de volta perfeita.
Dentro de muralhas e junto ao castelo, ergue-se a capela de Sta. Maria do castelo, templo simples, datável do século XVIII, composto por nave e capela-mor, com coberturas diferenciadas. A fachada principal é limitada por cunhais em forma de pilastras, rematada em empena com cruz latina no vértice e é rasgada por portal em arco abatido e possui, no lado direito, pequena janela gradeada.
Visitar o castelo de Monsanto, é uma viagem ascendente que nos transporta aos confins dos tempos e dos horizontes geográficos.
A subida para o castelo de Monsanto, e dada a sua localização, lembra um desafio quase humanamente impossível de concretizar por parecer inatingível, mas que apetece. O calcorrear vai-se fazendo com um misto de ânsia de conquista e de cansaço, compensados pela panorâmica que se alarga progressivamente no nosso campo visual...